Caros leitores,

A notícia a seguir foi publicada no Valor Online e confirma a evolução de 2 empresas familiares tradicionais, Fly Tour e Tia Augusta, com relação a governança e alternativas societárias para expansão de seus negócios.

Confiram! Boa leitura.

Rogério e Ana Rita

 

16/08/20110

Agências estudam entrada de sócios

Por Alberto Komatsu
Ana Paula Paiva/Valor/Ana Paula Paiva/Valor
Eloi de Oliveira, da Flytour, que faturou R$ 2,8 bilhões no ano passado: investimento de R$ 44 milhões para abrir até 400 lojas em oito anos

O mercado brasileiro de agências de turismo passa por uma mudança de perfil que deverá resultar num processo de consolidação do setor, de olho no aumento da demanda por viagens a lazer protagonizado principalmente pela classe C. Duas empresas familiares e tradicionais, a Flytour  e a Tia Augusta, estão profissionalizando sua gestão, elaborando agressivos planos de expansão e consideram vender parte do negócio para alcançar esse objetivo.

A Flytour, a maior agência de contas corporativas do país, planeja investir cerca de R$ 44 milhões para abrir até 400 lojas em oito anos. Para abreviar esse plano, considera comprar uma agência de turismo com bom número de lojas. E o poder de fogo dessa aquisição poderá ser ampliado com a entrada de um fundo de private equity no seu capital, revela o fundador e presidente do conselho de administração, Eloi de Oliveira.

Criada há 35 anos por uma das melhores funcionárias da falecida vovó Stella, fundadora da Stella Barros Turismo, a Tia Augusta, especialista em Disney, contratou a consultoria Fram Capital para melhorar sua receita e rentabilidade. O resultado foi um plano de expansão com lojas próprias em shoppings que chamou a atenção de cinco grupos nacionais de turismo, de olho numa participação.

A Tia Augusta está aplicando este ano R$ 2 milhões para abrir quatro lojas, sendo que duas já foram inauguradas. Até 2015, mais R$ 12 milhões serão investidos para a inauguração de até seis lojas a cada ano, estima o filho da Tia Augusta e CEO da empresa, Filipe Fortunato.

“Se o investimento vier [de um private equity] vamos antecipar nosso plano de expansão, porque teremos capacidade para abrir 50 lojas por ano e não 15, por exemplo”, diz Oliveira, da Flytour. “Temos uma certa resistência em perder o controle. Vai depender da proposta. Até o fim do ano devemos ter alguma novidade”, diz Fortunato, da Tia Augusta.

A Flytour criou há dois meses um conselho de administração e contratou 30 profissionais de mercado para cargos de direção. Oliveira deixou a presidência-executiva, cargo que ocupava há 35 anos, para se dedicar ao conselho. Hellen Khouri Barrionuevo foi escolhida como CEO. Abaixo dela foram criadas cinco presidências e sete novas diretorias.

O mercado corporativo responde por 94% do faturamento da Flytour, de R$ 2,8 bilhões em 2010, com projeção de R$ 3,2 bilhões em 2011. Hoje são 86 lojas com a bandeira Flytour American Express Business Travel, mas os dois últimos nomes serão mudados para Serviços de Viagem. A meta é mostrar ao público a ampliação do foco, porque as novas lojas terão vendas mistas, para o mercado corporativo e para o consumidor final em busca de pacotes de lazer.

As lojas têm a bandeira American Express porque no fim de 2007 a Flytour comprou do Bradesco o negócio de turismo corporativo da American Express, por R$ 28 milhões. Atualmente, as contas corporativas já lhe garantem 30% de clientes da classe C, mas a meta é aumentar essa parcela para cerca de 40%, conta Oliveira.

O plano de expansão da Tia Augusta teve início com a abertura de lojas nos shoppings Ibirapuera e Jardim Sul. Até o fim do ano, serão mais duas unidades, nos shoppings Interlagos e São Caetano. Os novos estabelecimentos deverão render um faturamento de R$ 50 milhões em 2011. Até então, a Tia Augusta só tinha um escritório e trabalhava com representações em 1,5 mil agências de viagem.

Fortunato conta que antes de abrir as lojas em shoppings as vendas eram sazonais, mais fortes nas épocas de alta temporada. O movimento dos shoppings, conta ele, “trouxe vendas mais uniformes “. O executivo diz que atualmente 65% das vendas são de pacotes de lazer e os 35% restantes são de pacotes do mercado corporativo.

Os executivos da Flytour e da Tia Augusta mencionaram como uma espécie de fonte de inspiração a recente transformação da maior operadora do país, a CVC. Seu fundador, Guilherme Paulus, vendeu 63,6% das ações para o fundo Carlyle por cerca de R$ 750 milhões. Na semana passada, a CVC entrou com pedido para realizar um IPO na Bovespa.