Antonio Ramatis cita interferência de sócios na gestão da Viavarejo

Executivo ficou menos de seis meses à frente da empresa controlada pelo Grupo Pão de Açúcar e que reúne Casas Bahia e Ponto Frio; saída repentina ocorre após processo de auditoria e envolve ainda desacordo sobre pagamento de bônus

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Os desentendimentos entre sócios não são exclusividade da holding Pão de Açúcar. Elas afetam também uma de suas principais controladas, a Viavarejo. Ontem, Antonio Ramatis, diretor-presidente da empresa que reúne as varejistas Casas Bahia e Ponto Frio, pediu demissão durante reunião do conselho de administração citando “interferências” em sua administração. O executivo Victor Fagá de Almeida foi recrutado interinamente para a função.

O problema principal que teria levado ao desligamento seria a dificuldade em equalizar as diferenças entre os três principais sócios da Viavarejo (o francês Casino, Abilio Diniz e a família Klein). A dificuldade de entendimento – que levaria a mudanças repentinas nos critérios para aprovação de investimentos – teria se intensificado na semana passada, levando à decisão, segundo apurou o Estado.

A saída do executivo coincide com a divulgação de uma auditoria da KPMG que apontou processos informais da Viavarejo e que recomendaria novos aportes de alguns dos sócios, com obrigações mais pesadas à família Klein.

Ramatis ficou menos de seis meses no cargo. Ele entrou em caráter temporário, para substituir Raphael Klein por dois anos. Pelos resultados obtidos – no primeiro trimestre, o lucro da Viavarejo foi multiplicado por seis, em relação a 2012 – , o Grupo Pão de Açúcar estava montando um plano de retenção para o executivo, que ele não chegou a assinar.

No curto período em que ficou à frente da companhia, Ramatis se debruçou sobre as ineficiências da Viavarejo. Além de ter demitido executivos e mudado vários outros de função – afetando as áreas de logística, TI, relações com investidores e operações -, também combateu processos ainda não formais na companhia, como mercadorias vendidas sem o devido recolhimento de impostos.

Segundo o Estado apurou, a saída de Ramatis foi uma surpresa. “Não tenho conhecimento de que alguma interferência grave tenha ocorrido”, afirmou um executivo. Uma fonte ligada ao Pão de Açúcar diz que a relação entre Ramatis e Enéas Pestana, presidente do grupo, tinha se desgastado. Porém, foi Pestana quem escolheu o executivo para substituir Raphael Klein. Antonio Ramatis estava no grupo desde 2006.

O diretor-presidente da Viavarejo também citou, na carta de demissão, o não pagamento de um bônus em forma de ações como um dos motivos de sua saída. O Pão de Açúcar, no entanto, entende a questão de forma diferente: ao sair, ele perderia direito ao benefício, que justamente visa o compromisso de longo prazo com a companhia.

BRF. Ramatis foi questionado, durante a reunião do conselho, se pretendia se transferir para a BRF, já que Abilio Diniz acumula desde abril a presidência dos conselhos do Grupo Pão de Açúcar e da empresa dona da marca Sadia. Tanto Ramatis quanto Abilio negaram a informação. O executivo também afirmou aos conselheiros que não recebeu nenhuma proposta de um concorrente direto da Viavarejo.

Fonte: OESP, 24/05/2013, por FERNANDO SCHELLER e colaboração de NAIANA OSCAR

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