por Ana Rita Bittencourt Schlatter e Renata Bernhoeft

Empreendedores são pessoas que imaginam, inovam, têm grande iniciativa, intuição e realizam suas visões. Acima de tudo são orientados para resultados, com enorme capacidade de realização. São diferenciados. Na maioria das vezes começam do nada e constroem impérios. Hoje temos a comprovação de que as famílias empresárias que perduram por gerações, conseguiram passar às novas gerações características do empreendedorismo, e seguem criando e expandindo seus negócios. A base da continuidade tem sido, antes de tudo, seu investimento no capital humano, nas famílias e seus descendentes.

Após a fase do fundador, de sobrevivência e consolidação do empreendimento, o desafio dos herdeiros é a continuidade da empresa familiar, é o crescimento e administração dos riscos inerentes a um negócio maduro. Mas como transferir as características empreendedoras tão marcantes na primeira geração para as próximas gerações? A hipótese de que empreendedorismo é nato já é questionável. Hoje já se sabe que é possível aprender a empreender, e que alguns comportamentos caracterizam este processo.

A maior parte dos empreendedores adota pessoas ou histórias de sucesso como inspiração, o chamado modelo de referência. Portanto momentos de convivência entre as gerações, o relacionamento com pessoas do mundo empresarial, os exemplos trazidos pela exposição constante ao ambiente de negócios, geram oportunidades e conexões que são elementos fundamentais para o nascimento de um perfil empreendedor. Famílias que estimulam seus descendentes a criar e desenvolver negócios próprios estão construindo uma experiência prática raramente reproduzida na educação formal, esta também bastante necessária para dar sustentação ao plano de empreender.

Por outro lado, embora nas famílias empresárias haja um bom modelo de referência, para que o empreendedorismo possa ser desenvolvido, encontramos um aspecto inibidor: o conforto perigoso que leva a acomodação. É fundamental que as famílias ofereçam motivações e desafios para as próximas gerações. Incentivando projetos próprios, diferentes caminhos e experiências, como forma de aprendizado. Estes planos podem ser construídos de maneira negociada, entre todos os familiares, o que forneceria um grau de segurança e até possibilidades de aconselhamento e correção de rota.

Iniciar uma empresa de qualquer porte, administrar o dia-a-dia passa a ser fundamental: caixa, clientes, funcionários, mesmo que seja um laboratório numa operação com menor risco. Estas atividades do cotidiano empresarial não podem ser descuidadas e garantem um curto prazo eficiente, representam a capacidade de realização do empreendedor. Além disso, prever tendências, buscar inovações, diversificar os negócios, integrar ações individuais em torno de uma visão desafiadora de longo prazo; são aspectos que representam sua capacidade de sonhar. É o desafio de continuidade, conectado diretamente àquelas características empreendedoras.

O grande desafio do empreendedorismo nas novas gerações é que ele precisará ser analisado e unir aspectos dos sonhos, visão de futuro, realização e inovação. Além disso, precisará ser encarado de forma coletiva, pois aquele que começa sozinho pode decidir aonde irá. Já aqueles que herdam precisarão de alinhamento e negociação para definir as novas rotas. Uma nova geração com experiências empreendedoras e um histórico de realizações pessoais, será o equilíbrio necessário para agregar valor no processo de sucessão e continuidade.