A assembleia de acionistas do grupo Pão de Açúcar aprovou a indicação dos novos conselheiros da maior varejista brasileira, indicados pela holding Wilkes que, desde esta manhã, está sob o comando do grupo francês Casino.

A aprovação dos novos conselheiros configura o controle efetivo do Casino. A holding Wilkes controla o Pão de Açúcar e representa a antiga aliança entre os franceses e o empresário Abilio Diniz.

Até então a presidência da Wilkes estava com Diniz, o que garantia seu controle.

A virada já estava prevista desde maio de 2005, quando Abilio vendeu o controle da companhia ao Casino por US$ 881 milhões.

Ela se confirmou após a realização da assembleia privada entre as duas partes na manhã de hoje na sede do Pão de Açúcar, em São Paulo.

Sob a presidência de Jean-Charles Naouri, o novo conselho do Pão de Açúcar será formado por sete membros do lado do Casino e três do lado de Diniz, além de quatro independentes.

EMOÇÃO

O empresário Abilio Diniz encerrou a assembleia emocionado: “Devido aos acontecimentos dos últimos tempos, fui tomado por mágoas, tristezas e decepções. Fui acusado de quebrar contratos e não cumprir o combinado. Estou aqui para provar que aquelas acusações eram falsas.”

Ele disse ainda que o grupo é um dos maiores empregadores do Brasil, com 150 mil colaboradores. “Gosto de pensar neles como gente feliz e orgulhosa dessa companhia, a maior varejista do Brasil e uma das maiores do mundo. Aqui, nesta sede, nasceu minha filha Ana Maria, numa edícula, nos fundos da loja número um [a unidade fica na avenida Brigadeiro Luís Antônio, sede administrativa do Pão de Açúcar].”

Diniz acrescentou que a empresa foi construída com o seu DNA. “Sem qualquer falsa modéstia, sei que contribui de maneira essencial para tudo isso.”

editoria de arte/folhapress

SAÍDA DE ABILIO

Pelo acordo, Abilio fica por, pelo menos, mais dois anos na companhia. Esse é o prazo previsto para que ele possa vender suas ações.

O problema é que a relação entre os dois empresários está insustentável desde que Abilio tentou comprar o Carrefour no Brasil, em 2011.

Naouri se disse traído porque não teria sido informado das negociações que, caso avançassem, retiraria o comando das mãos do Casino, em 2012.

Folha apurou que, após a troca de comando, ambos pretendem buscar uma forma de viabilizar a saída de Abilio –que também segue um rito previsto em contrato.

Os dois lados chegaram a cogitar a possibilidade de Abilio sair levando o Extra, mas o Casino não concordou. A Viavarejo (Ponto Frio e Casas Bahia) também foi uma ideia, mas enfrentou resistências da família Klein, fundadora da Casas Bahia, que ainda procura bancos para financiar a compra da empresa.

MUDANÇAS

O Casino disse que manterá os executivos atuais. A verdade, porém, é que já estuda mudanças contando, inclusive, com a troca dos diretores colocados por Abilio.

Folha apurou com pessoas próximas ao Casino na Europa que nos planos está a conversão das ações preferenciais (sem voto) do Pão de Açúcar em ordinárias (com voto). Assim, a companhia migraria para o Novo Mercado, segmento da Bolsa que exige maior transparência.

A proposta tem tudo para ganhar a confiança dos investidores e deverá ser apresentada ao conselho dentro de alguns meses.

A conversão das ações abriria caminho para a fusão das operações brasileiras com as da Colômbia, do Uruguai e da Argentina, formando uma subsidiária latino-americana.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o Casino nega que a mudança faça parte dos planos neste momento.

William Mur e Diogo Shiraiwa/Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: FSP TONI SICRANA, com colaboração de Julio Wiziack – 22/06/2012