Caros leitores,
O assunto abordado neste painel da Exame certamente é algo que frequentemente rodeia as empresas familiares. Concordo com as recomendações do Falconi, porém, acrescento que desenvolver previamente uma relação societária seja essencial. Conhecer seu sócio, suas intenções, valores e visão de futuro são condições necessárias para aumentar as chances de sucesso de uma sociedade.
Boa leitura.
Rogério
Revista Exame – Painel Gestão à Vista | 15/06/2011 08:00
Como dividir poder

Vicente Falconi, da EXAME

                    Marcelo Garcia/EXAME.com

1 – Sou fundador de uma empresa que hoje fatura algo em torno de 300 milhões de reais num setor em rápida consolidação. Tenho sido muito procurado por fundos de private equity e gostaria de saber, em sua visão, quais aspectos devo considerar na hora de aceitar um deles como sócio, sobretudo no que se refere a compartilhar decisões. O senhor já viu associações assim dar errado por incompatibilidade, digamos, filosófica? Anônimo

A agenda desses fundos é fazer crescer o capital o mais rápido possível. Acredito que sua agenda seja a mesma. Então, basicamente, não tem problema. Um fundo de private equity pode lhe ajudar em muita coisa, dependendo de sua situação atual e de suas intenções futuras (que não conheço).

Tenho testemunhado que a presença de fundos em empresas tem sido muito positiva e algumas vezes decisiva ou revolucionária. Vejo dois fatores de imediato: um grande foco financeiro, o que a maioria das empresas não tem (veja o que significa “foco financeiro” em meu último livro, O Verdadeiro Poder), e capacidade gerencial.

Agora, como tudo neste mundo, nem todos os fundos são iguais e alguns são melhores do que outros nos aspectos citados. Sugiro que você procure saber as características de cada um deles antes de tomar alguma decisão. No entanto, por mais sugestões que eu possa lhe dar, no final das contas também conta muito sua própria capacidade de compartilhar o poder com outros e de saber ouvir.

Você deve ser um bom empresário, já que fundou uma empresa e chegou aos 300 milhões de faturamento. Você chegou até aqui sozinho, mas o compartilhamento de decisões com pessoas ligadas à área financeira e gerencial pode ser muito positivo para fazer sua empresa crescer ainda mais.

Tenho observado que eventuais problemas de compartilhamento de decisões podem surgir em razão de dúvidas quanto à governança estabelecida. Geralmente as pessoas pensam que sabem o que é governança, mas esbarram no dia a dia das decisões.

Caso você siga adiante em seu intento, recomendo-lhe discutir profundamente os pilares de governança com o pessoal do fundo e colocar tudo no papel (Acordo de Acionistas e Estatuto da Empresa), conhecendo exatamente os limites de poder e também do poder de veto de cada parte.