Rihanna tem um. Elton John também. A lista segue com Karl Lagerfeld, Neymar, Milla Jovovich, Jared Leto, Anne Hataway… O empresário e playboy italiano Lapo Elkann, herdeiro do Grupo Fiat, conseguiu reunir um time estrelado para desfilar por aí os óculos de sua grife Italia Independent, nascida há sete anos e já considerada por especialistas uma das companhias mais promissoras da moda mundial. Pois agora Lapo está trazendo a tal “promissora marca das celebs” para o Brasil, sua segunda aventura fora da Europa – a Italia Independent tem uma operação nos Emirados Árabes Unidos.  Época Negócios tentou ouvi-lo para saber dos planos para o mercado brasileiro. Em vão. O empresário estava ocupado, velejando pela Europa. Seu sócio, Giovanni Accongiagioco, fez as honras e atendeu a reportagem. “Por que a opção pelo Brasil? É um dos cinco maiores mercados mundiais de óptica. Não dava para ficarmos de fora”, afirma.

Os números mostram o tamanho desse apetite pelo Brasil. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abióptica), o setor passou de um faturamento de R$ 8 bilhões em 2006 para R$ 22 bilhões no ano passado – e não dá sinais que vá parar de crescer. Ao mesmo tempo, o mercado tem algumas características desafiadoras: um número elevado de pontos de vendas (28 mil ópticas espalhadas pelo país) e muita pulverização. Juntas, as cinco principais empresas do segmento possuem menos de 20% das vendas. Como enfrentar esse desafio? “Fechamos acordo com um parceiro local para fazer a distribuição, ao mesmo tempo em que estamos formando uma equipe de vendas exclusiva”, diz Carla Adami, a comandante da operação nacional.

Inicialmente, os produtos da Italia Independent, que deve fechar 2014 com vendas na faixa dos 32 milhões de euros (pouco mais de R$ 100 milhões), serão vendidos em lojas multimarca, mas já existem planos para uma loja conceito na capital paulista e quiosques espalhados por shoppings. Com preços partindo de R$ 350, os óculos estão posicionados numa faixa de preço entre os produtos mais populares e as marcas importadas de luxo – o próprio Elkann costuma chamar seus óculos de “luxo acessível”. Carla e Accongiagioco preferem não falar em expectativa de faturamento, mas dizem que ao longo dos últimos 30 dias, um período de teste, foram vendidas 1,5 mil unidades, acima do esperado pela companhia. O lançamento oficial da marca no país será na próxima São Paulo Fashion Week, em novembro.

A promessa dos italianos é não ficar só nos óculos. Como segundo passo, devem desembarcar por aqui uma linha própria de roupas e acessórios e, mais para a frente, produtos feitos em parceria com outras marcas, como Adidas e Ferrari. “Um de nossos grandes diferenciais é que somos uma marca que conversa com diferentes estilos, o que permite desdobrar ações para vários outros mercados”, afirma Accongiagioco. O que não muda é o local de fabricação dos produtos, a Itália. “Apesar de muita gente estar se transferindo para a China, preferimos nos manter onde está o centro da moda mundial, perto de Milão. Íamos perder muito de nossa identidade se fôssemos para outro país”.
Fortuna, Fama e problemas. Lapo Eduard Elkann, 36 anos, frequenta mais as colunas sociais do que as páginas de negócios. Poucos se referem a ele como o diretor de marcas da Fiat Automobile – é mais fácil vê-lo identificado como o homem mais elegante do mundo, o solteiro mais cobiçado da Itália, o festeiro, o “cara” que prefere dirigir a vender Ferraris…

Cresceu cosmopolita. Passou a infância no Rio, em Londres e Paris. Adulto, morou na Itália, Paris (de novo) e Estados Unidos. Poliglota desde cedo, expansivo desde sempre, dono de uma agenda poderosa, era natural que assumisse algum cargo mais voltado à comunicação e marketing na empresa da família (um império avaliado em US$ 5 bilhões que inclui, entre outros negócios, a Ferrari, a incorporadora Cushman & Wakefield e o time de futebol Juventus, a CNH). Conta-se que seu avô Gianni Agnelli, o homem que transformou o grupo numa poderosa multinacional, não cansava de elogiar o desempenho de Lapo como diretor de marcas. Mas não o via além disso (Gianni jamais cogitara transformá-lo, por exemplo, em CEO da Fiat). Muito dessa percepção vinha exatamente da fama que o neto carregava – e das confusões em que se metia. Na última da série, há oito anos, quase morreu por consumo excessivo de drogas no apartamento de um amigo. Os jornais italianos não pouparam o neto de Agnelli.

Mas Lapo parece estar em outra fase, concentrado apenas em seus negócios paralelos. Sua meta, assim que voltar do passeio de barco pela Europa, é mergulhar de cabeça na expansão internacional da Italia Independent. O Brasil é só o começo.

Fonte: Época Negócios, por Marcelo Cabral, 02/10/2014