Segundo DealMaker, elevados preços pedidos pelos empresários são um dos maiores entraves para concretização de aquisições no País

Muitas empresas no Brasil que se expandiram durante o período de estabilização econômica atravessam agora uma fase crítica: a sucessão no comando nos negócios. Empresas fundadas ou que cresceram ao longo dos últimos 20, 30 anos estão passando por um período de sucessão e isso deve alimentar o movimento de fusões e aquisições no País, na visão de especialistas.

Algumas companhias brasileiras não se prepararam para transferir o comando e agora se veem em uma situação difícil, em que a venda do controle parece ser a melhor alternativa. Em alguns casos, os herdeiros das empresas também acreditam ser este o melhor momento para vendê-las, já que existe uma grande procura por negócios no Brasil e os compradores estão pagando bem – às vezes muito bem.

Um exemplo foi a compra da Schincariol pelo grupo japonês Kirin, que teria pagado uma fortuna pelo controle da cervejaria brasileira. Os japoneses desembolsaram R$ 4 bilhões pelo controle, que pertencia aos irmãos Alexandre e Adriano Schincariol, e depois mais outros R$ 2 bilhões pelas ações restantes. Especialistas do setor acreditam que o valor pago pelos japoneses ficou R$ 1 bilhão acima até mesmo das avaliações mais generosas.

Mas, segundo os sócios da DealMaker, firma especializada em fusões e aquisições com foco em médias empresas, um dos maiores entraves neste momento para a concretização de negócios no Brasil são justamente os elevados preços que os empresários brasileiros têm em mente. “As expectativas que os empresários têm sobre o valor de suas empresas estão inflacionadas. Conseguir fechar uma transação está mais complicado”, afirma Marcos Mellão Alves de Lima, sócio da DealMaker.

Essa visão inflada de preço afeta particularmente as aquisições por fundos de private equity, que normalmente buscam taxas de retorno mais agressivas e pagam menos por participações minoritárias ou majoritárias nas companhias do que os estratégicos, ou os grupos que atuam em um determinado segmento, diz Daniel Benzercy Carneiro Cunha, também sócio da DealMaker.

Dificuldades para crescer

Mas, em contrapartida, as empresas familiares enfrentam dois obstáculos para financiar uma nova rodada de crescimento, o que cria um terreno fértil para aquisições por parte dos fundos de private equity. O apetite por aberturas de capital, que seria um caminho para muitos grupos familiares, já não é tão grande. Os preços que os investidores agora estão dispostos a pagar pelas ações das novatas na bolsa não são mais tão atraentes como eram antes da crise mundial, em 2009.

O endividamento também transformou-se em um problema nos dias de hoje diante das turbulências mundiais. Companhias que se alavacaram para fazer aquisições estão sendo pressionadas e precisam vender ativos. Esse é, por exemplo, o caso da Hypermarcas. Segundo notícias veiculadas pela imprensa, o BTG estaria interessado em entrar no capital da fabricante brasileira de bens de consumo, embora tenha negado que estaria disposto a fazer isso à revelia de seus controladores.

Fonte: Claudia Facchini, iG São Paulo | 12/01/2012 05:00