Enquanto se prepara para a aposentadoria, Bernard Arnault, CEO da Louis Vuitton dá cargos importantes para os dois filhos com o objetivo de testá-los

Paris – Dois anos atrás, Bernard Arnault pediu que seu filho Antoine administrasse a fabricante de sapatos Berluti. Neste mês ele alçou sua filha Delphine ao cargo de vice-presidente executiva da Louis Vuitton.

Embora a missão dela seja reviver a fabricante de bolsas e a tarefa de Antoine seja transformar a Berluti em um titã das roupas masculinas, Arnault está testando ambos para outro trabalho: o seu.

Aos 64, o CEO da LVMH Moet Hennessy Louis Vuitton SA já se qualifica para a aposentadoria. Ele não deu sinais de que está cansando de administrar a maior empresa de produtos de luxo do mundo, mas “em algum ponto há um elemento de sucessão que precisa acontecer”, disse o analista John Guy, do Berenberg. Dar a seus filhos uma maior responsabilidade permite a Arnault testá-los, disse Guy.

Arnault sabe uma ou duas coisas sobre como fomentar rivalidades. Ele foi convidado para a LVMH nos anos 1980 por Henry Racamier, um herdeiro de Vuitton, que estava brigando com outra facção na empresa. Arnault ajudou Racamier a despachar seu rival na cúpula, e então depôs Racamier e assumiu a fabricante de bolsas.

Desta vez, o homem mais rico da França — que transformou a LVMH em um gigante do luxo que oferece mais de 60 marcas, desde champanhe Krug até relógios Tag Heuer — está colocando em disputa membros de sua própria família. Arnault, que controla 46,5 por cento dos direitos de voto na LVMH, disse esperar que um parente o substitua.

Enorme apoio

O bilionário recusou um pedido de entrevista por meio de um porta-voz. As ações da LVMH subiram 4,9 por cento neste ano, ficando atrás do ganho de 14 por cento do Bloomberg European Fashion Index.

Fonte: Bloomberg, Andrew Roberts, 30/09/2013