O Habib’s, uma rede com 430 restaurantes, que vendeu 680 milhões de esfirras e atraiu 220 milhões de clientes no ano passado, poderia jamais ter existido. O dono da rede, Alberto Saraiva, confidenciou que chegou perto de simplesmente desistir.

Isso ocorreu na época em que o empresário assumiu a padaria administrada pelo pai, comprada quando Saraiva passou no vestibular de medicina – ele precisou trancar o curso para cuidar do negócio quando seu pai foi tragicamente assassinado durante um assalto.

“Era a pior padaria que podia existir, cercada por cinco padarias, com equipamentos antigos, sem funcionários qualificados”, lembrou o empreendedor.

Cheio de problemas, dívidas e com nada dando certo, Saraiva pegou um táxi para o que seria o último dia de trabalho no negócio da família.

“Um taxista mudou a minha vida. Eu disse que seria o último dia da minha padaria e ele falou: ‘não desista filho, continue a lutar que você vai vencer’. Eram as mesmas palavras que meu pai dizia quando eu prestava vestibular e não consegui passar. A partir daquele dia, decidi enfrentar todas as dificuldades. Foi a minha interpretação e isso mudou minha vida.”

A virada do negócio foi a decisão de vender o pãozinho 30% mais barato, preço que atraiu a clientela para o negócio. Com a ajuda de um cozinheiro experiente, um senhor de 70 anos, Saraiva depois aprendeu as receitas da culinária árabe.

Entretanto, até idealizar a proposta de negócio do Habib’s, o empreendedor cuidou de uma casa especializada em pastéis, outra de nhoque e até administrou um rodízio de pizza. Saraiva vendeu todas as empresas, mas quando formatou o Habib’s e abriu a primeira unidade, enxergou a possibilidade de fazer fortuna e ficou com o negócio.

Tíquete. “O diferencial da minha vida foi resolver essa equação de associar qualidade e preço acessível. Passei minha vida tentando ver como fazer para vender mais barato. As pessoas têm outro conceito, de como fazer para ter mais lucro. Eu nunca pensei em lucro e sempre tive lucro”, destacou.

Outro desafio do empreendedor repousa na qualidade do atendimento prestado ao público. Por isso, na empresa de Alberto Saraiva, a motivação dos funcionários está diretamente ligada com a oferta de recompensas. No ano passado, a rede premiou os melhores garçons, recepcionistas, cozinheiros, entre outros profissionais, com uma noite em uma casa de shows com viagem e hospedagem pagas – houve também sorteio de automóveis. Para 2013, a empresa vai levar 4,2 mil pessoas para três noites em um cruzeiro marítimo.

“Vai custar uma fortuna, mas essa ação vai dar sustentação para a empresa durante muitos anos”, afirma Saraiva. “Sozinho você não consegue fazer nada. Você precisa ter pessoas, conseguir motivá-las para que elas se dediquem ao seu negócio”, complementou.

Orientação. A dica principal de Saraiva para quem tem planos de empreender é acreditar em si mesmo e no próprio sonho. Para o empresário, existem três pontos determinantes para o sucesso: a pessoa, o negócio e o ponto comercial. “Não adianta ter ideia, vontade e montar o negócio no lugar errado. Isso vai trazer muitos problemas”, pontua.

Outro conselho do empresário: ‘O que você precisa não é ter lucro, você precisa ter clientes. O lucro é uma consequência.”

Fonte: OESP, 7/4/13, Gisele Tamamar