Confira matéria publicada no G1 sobre os principais pontos do acordo para a fusão da Sadia e Perdigão.

Boa leitura.

Rogério

 

13/07/2011 14h04 – Atualizado em 13/07/2011 20h34

Veja os principais pontos do acordo para a fusão
Sadia-Perdigão

Cade prevê que restrições vão garantir surgimento de nova empresa.
Acordo
prevê a suspensão da venda de alguns produtos da marca Perdigão.

Fábio Amato Do G1, em Brasília

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) prevê que o acordo
firmado com a BRF nesta quarta-feira (13), e que garantiu a aprovação
da fusão entre Sadia e Perdigão
, vai garantir a entrada de uma nova empresa
de porte no mercado brasileiro de alimentos processados, capaz de concorrer com
a própria BRF.

O ponto central do acordo – e principal exigência feita pelo Cade -, é a
suspensão da venda de parte dos produtos Perdigão. Presunto, pernil, tender,
linguiça e paio da marca vão ficar fora do mercado por três anos. Os salames,
por quatro anos. Já pizzas, lasanhas e congelados Perdigão só voltam a ser
vendidos no Brasil em cinco anos.

Em fato relevante divulgado ao mercado, a BRF informou que o volume de
produtos sujeito às restrições “representaria em 2010 cerca de um terço das
vendas sob a marca Perdigão”.

A marca Perdigão contiuará sendo utilizada em produtos como empanados,
hambúrgueres, mortadela, pratos prontos congelados (exceto lasanha), bacon,
comemorativos de aves, além da linha  de produtos in natura, entre outras. A
avaliação do Cade é que nessa área a BRF não detém concentração de mercado
significativa.

arte fusão Sadia e Perdigão (Foto: Editoria de Arte/G1)

Pelas medidas impostas pelo acordo, a BRF terá que vender 12 marcas chamadas
“de combate” (mais baratas, que costumam concorrer por preço): Rezende, Wilson,
Patitas, Tekitos, Texas, Escolha Saudável, Light Elegant, Fiesta, Freski,
Confiança, Doriana e Delicata.

A companhia também concordou em suspender, por quatro anos, o comércio de
produtos da marca Batavo, entre eles margarina, peru in natura, mortadela,
kit-festa aves, hambúrguer, empanados e salsichas.

Outra medida prevista no acordo é a venda pela BRF de cadeias completas de
produção, desde abatedouros até fábricas e centros de distribuição. Este pacote
inclui a venda de 10 fábricas de alimentos processados, 2 abatedouros de suínos,
2 abatedouros de aves, 4 fábricas de ração,  12 granjas de matrizes de frangos,
2 incubatórios de aves e de 8 centros de distribuição.

A suspensão da marca Perdigão vai valer a partir da venda desses ativos pela
BRF. O prazo para que a empresa repasse as instalações a um concorrente é
sigiloso.

Nova empresa
De acordo com o conselheiro do Cade Ricardo
Ruiz, que pediu vistas do processo no início de junho e fez a leitura nesta
quarta-feira dos termos do acordo, o objetivo das restrições é permitir que uma
nova grande empresa consiga entrar no mercado nacional de alimentos processados
e competir com a BRF.

Ele apontou que os ativos dos quais a BRF terá que se desfazer vão dar à
concorrente que adquiri-los uma capacidade anual de produção de 730 mil
toneladas de alimentos, o que equivale a 80% da venda da Perdigão no mercado
interno por ano.

Ruiz disse ainda que as restrições se aplicam a setores sensíveis do mercado,
onde foi identificada alta concentração de mercado pela BRF. E não afeta as
exportações da empresa. Ou seja, para o exterior, a BRF pode continuar a usar a
marca Perdigão.

Aprovação
A fusão entre Sadia e Perdigão, que deu origem
à Brasil Foods (BRF), maior produtora de alimentos processados do país, foi
aprovada pelo Cade nesta quarta-feira. A sessão de julgamento da fusão, prevista
para ter início às 10h, começou com uma hora de atraso para que fosse finalizado
o acordo entre BRF e Cade que possibilitou a aprovação do negócio.

O relatório do conselheiro do Cade Carlos Ragazzo, apresentado no início de
junho, havia defendido o veto à fusão entre Sadia e Perdigão alegando que a
concentração de mercado da BRF geraria aumento de preços de alimentos e de
inflação. Desde então, BRF e Cade fizeram 12 reuniões até chegarem ao acordo.Em
seu relatório, Ragazzo afirmava que a união entre as empresas, principais
produtoras de alimentos congelados e processados no país, cria um “cenário
extremamente danoso” para o consumidor brasileiro, com aumento de preços,
geração de inflação e comprometimento do poder de compra das famílias das
classes C e D.