Apesar de ser normal recorrer ao apoio da família em períodos de crise não há muitas estratégias de investimento baseadas nesta premissa. Contudo, é essa a sugestão da Reuters, que olhou para o desempenho de um índice que inclui cotadas como a BMW ou a L’Oreal.

O índice de 225 empresas familiares do Crédit Suisse até apresentou um desempenho negativo de 10% nos últimos cinco anos. No entanto, o seu comportamento superou o do índice de referência MSCI World em oito pontos percentuais no período. O índice de pequenas cotadas europeias desceu ainda mais, cerca de 20%.

A comparação favorável entre as cotadas em que as famílias têm controle, ou influência, sobre decisões importantes como a nomeação de executivos para cargos de topo, como CEO (presidente executivo) ou CFO (director financeiro), pode ter origens diversas. Algumas estruturais, enquanto outras são mais circunstanciais.

Longevidade e pensamento estratégico de longo prazo são duas características favoráveis a empresas como a Samsung, Wal-Mart, Carrefour, L’Oreal, Volkswagen ou BMW, segundo a Reuters, que se focou em empresas que já vão na terceira ou quarta geração de controlo por uma família.

Características mais associadas a cotadas da Alemanha, por exemplo, do que às do mundo anglo-saxónico, lembra a agência noticiosa. Por outro lado, de um modo geral, as empresas familiares tendem a ser mais conservadoras na sua política financeira, o que lhes confere um estatuto de investimento mais “defensivo” – mais adequado em período conturbados.

“Este é um modelo verdadeiramente distinto e que parece estar a funcionar”, afirma o analista do Crédit Suisse, Michael O’Sullivan na nota de análise a que a Reuters teve acesso.

Contudo, “se nos próximos anos, houver uma grande subida das cotadas com maior beta [risco] – bancos, sector mineiro, etc. – então isso deverá deixar os negócios familiares para trás”, conclui.

Fonte: Jornal de Negocios, 19 Setembro 2012 | 18:59, Hugo Paula