Estudiosos suspeitam que possa existir uma fraqueza oculta em meio à força da economia dos países asiáticos.

Isso porque o padrão do continente é ter empresas jovens e familiares. Assim, pela primeira vez, a sucessão no comando está surgindo como uma questão séria.

Para os especialistas, os asiáticos têm dificuldade para lidar com esse tema, até então um tanto inédito.

“Falar sobre sucessão é quase como lançar uma maldição contra alguém”, diz Yupana Wiwattanakantang, professora de administração de empresas da Universidade Nacional de Cingapura.

Na Ásia, empresas familiares de todos os portes tendem a ser lideradas por patriarcas, que desejam continuar no comando de suas organizações até a morte. Os familiares preferem não mencionar a sucessão porque pode parecer que estão desejando que um pai ou avô adoeça.

“O proprietário típico de uma empresa familiar asiática vai dizer que simplesmente não tem tempo para tratar do assunto”, diz Wiwattanakantang.

Por enquanto, as sucessões não estão indo bem.

Joseph Fan, diretor do Instituto de Economia e Finanças na Universidade Chinesa de Hong Kong, constatou que empresas perdem em média 60% de seu valor na transição de uma geração à seguinte.

No caso da China, onde muitas empresas surgiram durante as reformas econômicas da década de 1980, o país inteiro pode em breve ter de enfrentar uma série de sucessões ao mesmo tempo –o movimento, aliás, já começou.

“Na China, existe na realidade um risco nacional”, diz o professor Fan sobre a crise de sucessão empresarial que o país deve sofrer. “Assim, existe grande demanda por educação quanto a isso.”

Fan está ajudando a criar o Centro de Governança e Desenvolvimento de Empresas Privadas, na Universidade Renmin, em Pequim, e faz palestras sobre empresas familiares a cada mês, em diversos lugares da China.

“O fator mais importante para as empresas familiares asiáticas é a questão da sucessão”, diz Morten Bennedsen, diretor do Centro Internacional Wendel para Empresas Familiares.

Os acadêmicos se esforçam para mostrar que planejar a transição desde cedo não é um desrespeito ao idoso que comanda um negócio.

“Vindo da Europa, temos entre 100 e 200 anos de experiência em modelos de propriedade e modelos de saída”, diz Bennedsen.

“Uma coisa que podemos oferecer são casos e exemplos de como famílias tentaram enfrentar, nos 200 últimos anos, diversos dos mesmos problemas que as empresas familiares asiáticas enfrentam hoje.”

A demanda maior por aulas sobre como planejar uma boa transição em uma empresa familiar é dos jovens. “Os estudantes agora estão muito interessados nessa área. Muitos deles fazem parte de negócios de família”, explica Wiwattanakantang.

Fonte: FSP 23/06/2013, por Emma Boyde do Financial Times, tradução de Paulo Migliacci