As regras de governança fazem toda a diferença na definição do valor de uma empresa

O valor de uma empresa pode ser medido por diversos indicadores, mas o atributo que ganha cada vez mais força é a qualidade de sua gestão. As chamadas regras de governança corporativa, fundamentais para o nivelamento de companhias cotadas na bolsa de valores, balizam a administração das empresas – mas não devem ser aplicadas apenas por quem pretende abrir capital. “Vejo empresas familiares que são fechadas e estão mais bem estruturadas do que grandes companhias. O próprio mercado pune estas empresas, ao precificar seus papéis, porque entende que elas não estão preparadas para perpetuidade”, observa Guilherme Weege, presidente da Malwee.

Weege acredita que a governança corporativa vai muito além da constituição de um conselho de administração. Para ele, o conselho apenas fiscaliza, enquanto um modelo de governança bem estruturado, que revise processos e reduza a chance de falhas, muda o dia-a-dia da empresa e oportuniza um trabalho mais detalhado em gestão de riscos, estratégia, auditoria e sucessão. “A Malwee, por exemplo, trouxe à mesa assuntos que não tratava diretamente. Teve mais disciplina para tratar. Por ser familiar, não tem essa necessidade, mas com certeza um acordo com regras e níveis de preparação para a sucessão é vantagem”, avalia.

A aplicação de regras de governança pressupõe um processo lento e cuidadoso. Weege lamenta que muitas empresas procurem se enquadrar nas normas do mercado apenas um ano e meio antes de abrir seu capital, em média. “É um processo bem mais longo. A Malwee iniciou há seis anos e ainda está no começo. É um choque de cultura interna. Então não se pode fazer de uma hora para outra”, alerta. Ele acredita que o ideal é começar por uma auditoria de resultados e, em seguida, uma operacional. “Se o computador de uma pessoa que faz faturamento pode mudar preço, temos que bloquear. São coisas que normalmente não seriam vistas”, garante.

Além de não ser a única ferramenta, o conselho também deve ser constantemente avaliado. Quem alerta é Alberto Whitaker, conselheiro empresarial e especialista em governança corporativa. Ele atenta, ainda, para o fato de que a formação do conselho deve seguir os interesses de cada momento da empresa. “Se a intenção é se internacionalizar, tem que chamar pessoas com essa experiência”, exemplifica. Outro fator importante é a preparação dos conselheiros escolhidos. “Conselheiro consciente não aceita entrar se não tem um Seguro de Responsabilidade Civil. A punição tem aumentado a consciência: antes tinha fila, hoje a empresa tem que convencer um conselheiro a aceitar”, compara Sidney Ito, sócio líder em governança corporativa e gestão de riscos da KPMG Brasil e América do Sul. Questionado sobre o custo do processo, Ito tem opinião definitiva e enfática: “[O custo] é muito menor do que não ter regras de governança”. Ito, Weege e Whitaker participaram de um painel sobre o tema na ExpoGestão – acompanhada pela redação de AMANHÃ no início deste mês, em Joinville (SC).

Fonte: Revista Amanhã, por Pedro Pereira, 25 de junho de 2012